sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O peso do mundo.

Ele ficou parado à beira do penhasco. Um rio,fino mas profundo corria há metros abaixo, refletindo o brilho triste de uma lua que já tinha estado cheia. As estrelas faziam o mundo parecer ainda mais desolador para aquela alma em questão. E o silêncio. O silêncio era sufocante, sendo cortado pelo barulho do vento sussurrando entre as folhas das altas arvores que rodeavam aquele penhasco. Um penhasco já conhecido.Depois de tantas andanças pelo mundo, observando as décadas se transformarem em séculos, tudo se tornou igual. O ser humano era igual, apenas mudando roupas e evoluindo ideias.
Já estava na hora, quando consultou o relógio. Marcava dez e sete. Se aproximou um pouco mais da beirada, fitando o rio calmo abaixo de seus pés, sua unica testemunha da vida longa que levara depois que sua amada havia pulado para acompanhar a correnteza dessas mesmas águas. Isso ocorreu quando? duzentos anos? Não calculava mais, mas como o mundo havia se tornado, superficial, critico, buscando uma perfeição, esses anos pareciam pesar dois mil. Se fosse outra era, outra época, sobreviveria, mas o peso do mundo atual era grande demais para uma pobre alma que viu a evolução humana se tornar o que é, era pesado demais para uma pobre alma imortal.
Seus pés perderam o chão, e aquele ser sentiu seu corpo leve, como se fosse um pássaro negro em seu voo rasante em busca da água, em busca da paz. Nem uma alma imortal aguentaria um mundo atual. Sorte dos humanos não viverem tanto ao ponto de perceberem a sociedade em que vivem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário